segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cientistas deixam computador esquizofrênico

SÃO PAULO – Pesquisadores americanos conseguem fazer com que um computador fique esquizofrênico ao impedir que ele se esqueça das coisas.
Os testes realizados em uma “rede neural” podem ajudar a entender como a doença se comporta no cérebro humano.

Os cientistas das Universidades de Texas e Yale simularam a liberação excessiva de dopamina no cérebro e descobriram que, sob essas condições, o sistema recuperava memórias de uma maneira parecida com a esquizofrenia.
O estudo partiu de uma das teorias que explicam a doença, chamada “hiper aprendizado”. Nesta hipótese, o excesso de dopamina faz com que o cérebro perca a capacidade de esquecer ou ignorar informações não essenciais. Parece paradoxal que o excesso de memória cause problemas, porém, sem essa capacidade, o cérebro perde a habilidade de reconhecer, entre tudo aquilo que chega de estímulo, o que é significativo. O resultado seriam conexões e relações que não são reais e a falta de habilidade de se ligar em histórias coerentes.

Para testar a hipótese, os pesquisadores usaram uma rede chamada DISCERN que tem a capacidade de lidar bem com a língua e de armazenar histórias da mesma maneira que o cérebro humano - não em unidades distintas, mas em uma relação de palavras, frases, roteiros e enredos. O sistema aprende por repetição: quanto mais vezes uma pergunta for feita sobre a mesma história, mais refinadas serão as respostas.
Para simular o aumento da dopamina, os pesquisadores aumentaram a taxa de aprendizado do sistema. Basicamente, disseram a ele que “parasse” de esquecer tanto. O resultado foi surpreendente: depois de ser treinado para não esquecer, o DISCERN começou a se colocar no centro de narrativas fantásticas, delirantes, que incorporaram elementos de outras histórias. Em uma das respostas, por exemplo, ele se disse responsável por um atentado terrorista. Em outros casos, o sistema passou a responder a uma pergunta com uma série de frases diferentes, digressões abruptas e misturando o uso dos sujeitos, indo e voltando da terceira para a primeira pessoa.
Embora significativo, o trabalho não é prova final da existência do hiperaprendizado. No entanto, o estudo, publicado na Biological Psychiatry, mostra como é possível utilizar as redes para simular reações no cérebro.

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